Projeto Lanterninha - Cinema e Educação em Movimento

A Máquina

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Gênero: drama

Tempo: 93 min

Lançamento: 2006

Distribuição: Buena Vista

Direção: João Falcão

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Sinopse

Em Nordestina, cidadezinha perdida no sertão, "Karina da rua de baixo" (Mariana Ximenes) sonha em ser atriz e partir para o mundo. Antes que seu amor lhe escape, "Antônio de Dona Nazaré" (Gustavo Falcão) adianta-se numa cruzada kamikaze para trazer o mundo até Karina. Uma história em que os sonhos contradizem a realidade, as condições geográficas e políticas ameaçam conter a vida, e o amor desempenha o papel de elemento transformador.

 

Proposta de Orientação Pedagógica:

Temática geral:

Sonho e Ilusão: Os Jovens e os Meios de Comunicação – Quais os sonhos do jovem de hoje?  Como os jovens vêem a si e ao mundo? Como os meios de comunicação alimentam sonhos e criam ilusões na vida destes jovens?  Em que “mundo” vivem os jovens?

  

Possíveis Desdobramentos:

Desejo e vontade

Alienação e consumo

Amor

Mídia

Tempo cronológico x Tempo subjetivo

 


Críticas

Cordel lambuzado de ficção científica

Transposição da obra literária que inspirou espetáculo teatral A Máquina surpreende com boas idéias e envolventes diálogos.

Por João Carlos Sampaio.

Para quem viu a prestigiada montagem teatral A Máquina, de João Falcão, fica difícil imaginar como aquela peça com quatro protagonistas em cena, vividos, na época, por Gustavo Falcão, Wagner Moura, Lázaro Ramos e Vladimir Brichta, se transformaria num filme de cinema. Quem tem viva a lembrança do espetáculo e duvida de suas possibilidades como película deve se apressar para ver o filme.

João Falcão, diretor da peça e do filme, voltou ao livro de sua esposa, Adriana Falcão, para a quatro mãos reescrever a estória. Ou melhor, estabelecer uma maneira igualmente criativa para a trama do livro, que mistura cordel e ficção científica, ganhar a tela grande com todos os atributos de um inteligente e fascinante exercício de cinema.

O filme A Máquina tem sim elementos teatrais, mas não só. Traz referências do mundo do videoclipe, da teledramaturgia e inúmeros signos da mídia. Falcão usa e abusa de elementos de metalinguagem, não esconde do público os cenários montados, a maquete da imaginária cidade onde a história se passa e isso tudo filmado antes do mundo exaltar a coragem de Lars Von Trier ao cometer o desconcertante Dogville.

O grande trunfo do diretor é uma história bem simples e comum, a da moça da cidade interiorana - Mariana Ximenes, em sua melhor presença no cinema - seduzida pela televisão e atraída pelo sonho de se tornar uma estrela. O contraponto deste sonho de Cinderela é o matuto pobre interpretado por Gustavo Falcão, que, por amor à garota, decide ferir seus princípios e ir até a cidade grande.

A missão do personagem é quase poética, a de trazer o mundo para a pequenina e fictícia cidade de Nordestina. Trazendo o que está lá fora, ele acredita que convencerá a menina a permanecer no torrão natal, já que tudo o que ela sente falta é do que está para além das fronteiras do interior.

Como um Quixote decidido a satisfazer os desejos de sua Dulcinéia, o matuto vai até a televisão - o arauto contemporâneo - prometer que irá fazer uma viagem no tempo, direto para o “futuramente”, trazendo de lá provas concretas da sua jornada. Caso contrário ficará de braços abertos na trajetória de um carro - a máquina do título - adaptado com um dezenas de lâminas cortantes prontas para devorá-lo ao vivo.

A viagem fantástica ou a morte dilacerante, qualquer que seja o seu destino será suficiente para atrair câmeras curiosas de todo o mundo, ou seja, fazer com que o planeta volte os olhos, ainda que por um instante, para Nordestina.

O eixo narrativo do filme gira em torno desta comédia romântica, entremeada pela imagem do personagem do rapaz no futuro - vivido por Paulo Autran, em participação especial - lá, o tipo interage com outros loucos, parceiros de manicômio, incluindo presença de atores convidados como Lázaro Ramos, Zeo Brito e Aramis Trindade. Os outros dois atores da montagem teatral, Wagner Moura e Vladimir Brichta também participam do filme, em papéis divertidos.

O filme A Máquina é uma produção de assimilação fácil, rica em figuras absurdas, por conta do parentesco com o cordel. Os diálogos cortantes e engraçados são o ponto alto. Mas João Falcão, egresso do teatro e da televisão, também surpreende como diretor de cinema trazendo momentos inusitados e com ares de novidade, especialmente para a mesmice realista da média das produções nacionais.

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