O Conselho Nacional de Cineclubes, secção Bahia, se reuniu no sábado 08 de maio de 2010 para tratar de assuntos relativos ao movimento cineclubista na Bahia. A reunião foi aberta com a exibição do curta metragem de 26 minutos Indígenas Digitais e posterior debate. O assunto sobre o que tratava o vídeo não podia ser mais pertinente. Integrantes de várias nações indígenas, como a Tupinambá (BA), a Pataxó Hahahãe (BA), Kariri-Xocó (AL), a Pankararu (PE), Potiguara (PB), Makuxi (RR) e Bakairi (MT) relatam como a internet, o computador, o celular, as câmeras de foto e vídeo são usadas para reafirmar a cultura, preservar o território e mostrar ao mundo como está a situação dos índios nas aldeias. Sem restrição de idade, os índios vão se conectando com essas ferramentas cibernéticas e iniciam um movimento que muitos deles denominaram como cyberativismo. O que é mais surpreendente é ver como eles possuem a plena consciência de como podem se utilizar desses meios na propagação de seus ideais, na afirmação de sua identidade. Um gancho para se pensar a atividade cineclubista, já que somos exibidores não comerciais e podemos nos apropriar dessa ferramenta da exibição para disseminar conceitos como direito do público, democracia, diversidade e acesso a equipamentos culturais. Presente na reunião a diretora da DIMAS, Sofia Federico, aproveitou para informar o breve lançamento do edital do Cine Mais Cultura no estado da Bahia e ouvir os diversos cineclubes presentes quanto às questões do setor. Apesar de reconhecer o avanço das políticas públicas na área, os cineclubes reivindicaram a inclusão de verba para manutenção da atividade, visto que a cessão dos equipamentos e do conteúdo da Programadora Brasil não são suficientes para manter a atividade cineclubista, que prevê custos de transporte, manutenção de equipamentos e manutenção da associação jurídica, uma vez que os editais só contemplam pessoas jurídicas sem fins lucrativos, o que inviabiliza a inscrição por grupos que não constituíram CNPJ, mas que ainda assim fazem atividades cineclubistas. É necessário se pensar na desburocratização desses editais de fomento ao cineclube e considerar o modo como as ações são realizadas pelos cineclubes, contando com o seu histórico de atuação. Além disso Sofia Federico falou sobre o acervo da Dimas que é disponibilizado para as sessões cineclubistas e sobre a criação de uma Cinemateca na Bahia. Por fim discutiu-se a inserção dos cineclubes ao POC, um banco de dados mundial sobre Práticas Orais Cinematográficas. O POC reúne um acervo importante de informações que permite a participação direta de qualquer interessado. É um banco de dados sobre a memória e as práticas de um público participante. Os cineclubes disponibilizariam as informações geradas nas sessões cineclubistas, alimentando o banco e divulgando as nossas práticas cineclubistas.
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